15 de abril de 2014

Usina de Tabajara depende de construção de Linhão

Estrada que dá acesso ao distrito de Tabajara
O projeto de construção da Usina de Tabajara, na região de Machadinho do Oeste, ainda está em fase de estudo de impacto ambiental pelo Grupo de Estudo Tabajara (GET), mas o empreendimento já começou a atrair novos investimentos na região. Uma audiência pública, a terceira realizada no município, serviu para tirar dúvidas e abriu novos questionamentos sobre os impactos ambientais gerados com a obra.
A usina será construída sobre o rio Machado, na Cachoeira 2 de Novembro, cerca de 70 km da sede do município, e é uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. “Os estudos devem ser finalizados ainda esse semestre e encaminhados à análise do Ibama”, disse Diego Silva, diretor técnico da empresa Polar. A previsão de início da obra é no primeiro semestre de 2015, mas o prazo ainda depende do parecer prévio do Ibama.

No pico da obra, de acordo com Silva, serão gerados cerca de 2.800 empregos diretos. Outros 2.000 empregos indiretos serão criados com a obra. O GET é formado pelas empresas Construtora Queiroz Galvão, Eletrobras, Eletronorte, Furnas e Endesa Brasil. Essas empresas são responsáveis pelos estudos de viabilidade técnica, econômica e socioambiental do Aproveitamento Hidrelétrico. “O GET está encarregado de fazer um Raio X do município”, explicou Silva.
O projeto foi aprovado em 2007 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas ganhou prioridade nos últimos anos em função da possibilidade de crise energética e o esvaziamento de reservatórios no Sul do Brasil. Quando estiver em operação, a Usina será interligada ao SIN (Sistema Integrado Nacional) e vai reforçar o sistema de transmissão de energia ao Sul do Brasil.
A energia gerada pela Usina vai atender 700 mil residência em Rondônia, o que representa 40% da demanda do Estado. O excedente vai para o Sul do Brasil.


Obra depende de energia de qualidade 

Antes de iniciar a obra, os empreendedores vão enfrentar sérios problemas no canteiro da obra em função da falta de energia limpa. Hoje, o município de Machadinho é atendido com energia produzida através de grupos geradores e não atende a demanda da região.
No passado, a cidade sofreu constantes interrupções de energia.
Para não comprometer o cronograma das obras, os responsáveis pelo projeto pretendem utilizar energia gerada através de um Linhão que ainda não saiu do papel. Empresas não manifestaram interesse na construção da linha de transmissão de Jaru, que vai interligar Machadinho ao sistema nacional de energia.

O preço praticado na construção da linha de transmissão não despertou interesse por parte das empresas construtoras em recente leilão realizado pela Aneel.
A Eletrobras está fazendo novos estudos e uma segunda licitação será feita ainda este ano.


150 famílias devem ser afetadas

A obra deve afetar 150 famílias e os moradores que residem no entorno do reservatório já temem os impactos da obra. É o caso do pescador Armando Ramos, de 52 anos. Ele atua há 25 anos no ramo da pesca e chegou na localidade de Tabajara no início da década de 60. “Tive o privilégio de receber a visita do ex-governador Jorge Teixeira, que pousava de avião trazendo alimentos e roupas para atender as famílias vítimas de uma enchente histórica”, lembra.
Ele disse que já recebeu a visita dos empreendedores. Ramos conta que no início do mês foi surpreendido com a cheia do rio Machado e teme, com a construção do reservatório, que novas famílias sejam atingidas na região.
Famílias estão sendo cadastradas na região de Tabajara e serão indenizadas pelos empreendedores. Segundo os responsáveis pelo projeto, as indenizações acontecerão de acordo com o preço de mercado e algumas dessas famílias precisarão ser transferidas à sede do município.
“Muitas famílias não tem documentação da propriedade do imóvel e moradores temem ficar no prejuízo”, disse André Alexandre, morador de Machadinho. O presidente do Sindicato dos Agricultores, Eliomar Patrício, afirmou ser favorável ao empreendimento, mas teme que o município sofra impacto a exemplo do município de Porto Velho em decorrência da cheia histórica do rio Madeira. “Estive recentemente na localidade de Joana D’Árc, onde algumas famílias não foram indenizadas pelos empreendedores”, afirma.


IMÓVEIS VALORIZADOS EM ÁREA NOBRE

Com o anúncio da construção da usina, novos empreendimentos começaram a se instalar no município. A empresa Terrabens se instalou no município e lançou o primeiro conjunto habitacional estruturado com ruas pavimentadas, rede elétrica e água potável.
“Comercializamos mais de 350 terrenos e já estamos preparando o lançamento do segundo empreendimento”, afirmou Elizandro Sartoro. A empresa é da cidade de São José do Rio Preto e atua desde 2009 no ramo de loteamentos no Brasil. De início, o terreno começou a ser comercializado a R$ 14 mil e hoje o preço de mercado é de R$ 50 mil. Houve também uma valorização nos imóveis localizados no centro comercial do município. Machadinho já conta com bancos públicos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e recentemente foi instalada na cidade uma agência do Banco Bradesco. O município deve ser beneficiado com uma agência do Banco da Amazônia (Basa). “Hoje já encontramos dificuldade em localizar mão de obra local”, afirmou o empresário.


Linhão trava novas empresas na cidade

Enquanto o estudo da usina está em fase de finalização, o prefeito da cidade, Mário Alves (PV), o popular Marinho da Caerd, corre contra o tempo e trabalha dobrado com a missão de preparar o município para receber os investidores. Hoje o município é responsável por 3.000 km de estradas, 29 escolas, 6.100 alunos e 7 postos de saúde.
“Estamos ampliando o número de escolas, postos de saúde e buscando parceria com o governo do Estado”, adiantou o prefeito. “A chegada da usina vai ser um benefício muito grande ao município, mas é necessário avaliar os problemas que serão ocasionados em decorrência da obra”, afirmou o prefeito.
Ele acrescentou que várias empresas mostraram interesse em se instalar no município, mas as pretensões esbarram na falta de energia de qualidade.


DISTRITO TEM VOCAÇÃO PARA O TURISMO 

Localizado à margem esquerda do rio Machado, distante cerca de 70 km de Machadinho, o distrito de Tabajara (Senhor da Aldeia) constitui-se num importante ponto turístico por suas praias e corredeiras ao longo do rio e pela variedade e quantidade notável de peixes. Muitos afirmam que Tabajara é mais velho do que Porto Velho. Bem antes da grande seca do nordeste (1878) o lugar já recebia significativo volume de exploradores e garimpeiros vindos inclusive de outros países.
Palco de grandes seringais, a região é habitada por seringueiros dos Estados do Ceará e Amazonas.
Na década de 30, a região recebeu garimpeiros por ocasião da descoberta de diamantes no Machado, mais precisamente na cachoeira Idalina, bem acima de Tabajara.

Hoje, a região passou a receber um volume de pessoas vindas dos mais diferentes lugares atraídas pelo movimento da construção da usina. Novos hotéis foram construídos em Machadinho e outros receberam ampliação.

PARTE DA MÃO DE OBRA LOCAL SERÁ APROVEITADA

O município de Machadinho faz fronteira com os estados do Amazonas e Mato Grosso.
Em princípio, a meta dos empreendedores é aproveitar boa parte da mão de obra local na construção da usina. “Até porque, vai sair caro para a empresa trazer mão de obra de outros estados. É claro que alguns profissionais teremos que trazer de fora, mas se tiver o profissional habilitado no município pretendemos contratá-lo”, explicou Daniel Freitas, da empresa Queiroz Galvão.


Asfalto depende do Governo

O acesso a Tabajara é pela RO-133, uma rodovia estadual e que precisa de manutenção. O acesso é precário e precisa de melhoria para receber máquinas pesadas e atender a demanda de veículos no transporte de operário ao canteiro da obra.
A pavimentação da estrada dependerá do governo de Rondônia e as pontes precisarão ser refeitas. Os investidores já sinalizaram durante palestra pública que não vão pavimentar a rodovia.

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