27 de abril de 2017

Fronteiras desprotegidas e criminosos organizados

A fragilidade da segurança pública nas áreas de  fronteira com o Brasil é um problema antigo e bem distante de encontrar uma solução eficaz. Traficantes sempre aproveitaram a ausência da fiscalização rotineira para avançar no importante comércio de drogas. Todos são conhecedores que é obrigação do Governo Federal manter a segurança nas áreas de fronteira, mas o Estado não conseguiu avançar nos últimos anos em planos estratégicos e fechar a porteira.
Se falou muito em manter a segurança com o apoio do Exército, mas essa proposta dificilmente saiu do papel nos últimos meses. Rondônia faz fronteira com a Bolívia e também se tornou uma grande rota importante dos traficantes. O Acre também oferece oportunidade para quem pretende ingressar no mundo do tráfico devido a falta de fiscalização. Traficantes bolivianos e brasileiros utilizam a rota acriana e circulam livremente em território rondoniense transportando produtos ilícitos.  
Na última segunda-feira, a imprensa nacional registrou uma ação policial que resultou na prisão de uma quadrilha que fez assalto a um banco no Paraguai e utilizava o Brasil como rota de fuga. No ataque a uma transportadora de valores, os bandidos levaram o equivalente a R$ 120 milhões e três deles morreram em troca de tiros com a polícia. O caso ganhou repercussão nacional e revelou aquilo que os brasileiros sabiam e principalmente a segurança pública: a falta de segurança na fronteira.
A falta de investimentos na fiscalização da fronteira reflete no atual cenário de insegurança nos Estados. Os traficantes utilizam a fronteira para transportar drogas e abastecer as quadrilhas com armamento pesado. Essa facilidade, permitida com  ausência da Polícia Federal e até mesmo do Exército, permite o crescimento do crime organizado e do tráfico de drogas.
No ano passado, a Polícia Civil de Rondônia realizou um trabalho em conjunto com a Polícia Militar na fronteira com a Bolívia, na região da BR-429. 
A rodovia também é rota de tráfico escolhida pelos bolivianos e brasileiros. Durante essa ação policial, foram apreendidas drogas e armas e veículos. A ação durou poucos dias, mas foi o suficiente para prender traficantes e apreender grande quantidade de droga.
Operações de segurança acontecem com certa raridade nos estados e requer investimentos de recursos. Ocorre que o dinheiro para esse tipo de atividade está cada vez mais difícil, ao contrário do que acontece com o crime organizado. 

26 de abril de 2017

A disputa por terra na região Norte

Com medo de uma nova chacina, moradores do assentamento Taquaruçu do Norte, no município de Colniza, no Mato Grosso, estão deixando a região, informou ontem a Comissão da Pastoral da Terra (CPT). A entidade vem atuando no local desde o dia 19, quando adultos, idosos e crianças foram atacados por “encapuzados”, e nove pessoas foram assassinadas. A área fica a 1.065 quilômetros de Cuiabá, na região noroeste do Estado. 
A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso deslocou uma equipe de investigadores e peritos de Cuiabá para reforçar as investigações na região. A força-tarefa tem 32 profissionais, sendo 19 policiais militares, quatro policiais civis, quatro peritos, três bombeiros militares e dois pilotos da Coordenação Integrada de Operações Aéreas, além de seis viaturas das polícias Militar e Civil, cinco caminhonetes emprestadas, um avião, dois barcos e uma motocicleta.
Entre os mortos, estavam agricultores que residem em Rondônia, palco também de atos de vandalismo. No ano passado, os integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) invadiram a Fazenda Bom Futuro, na região de Seringueiras, e causaram estragos. A ação dos “elementos” aconteceu em setembro após a desocupação da área por determinação da Justiça. Ao desocuparem o local pela primeira vez, os integrantes da LCP deixaram um rastro de destruição na propriedade rural. 
Sem dúvida, o ato de vandalismo praticado nessa propriedade rural e o que aconteceu no assentamento Taquaruçu do Norte não é a melhor forma de buscar os direitos por terra. 
Rondônia tem um registro triste sobre a invasão de terra após a chacina ocorrida na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, no Sul de Rondônia. Não se pode esquecer que a região do Vale do Jamari é outro barril de pólvora. Lá ainda existem conflitos agrários. No ano passado, dois assassinatos comoveram os moradores de Buritis e Monte Negro. Um casal de líderes sem-terra foi executado em uma linha rural localizada na região. O motivo teria sido a disputa por terra.
Buritis está no ranking das estatísticas da Polícia Civil como uma das mais violentas da região, justamente por conta de conflitos agrários e disputa por terra. Ainda no ano passado, bem próximo do município, um policial da Força Nacional de Segurança foi vítima de uma tocaia por um forte grupo de sem-terra. O local foi cenário de operação da Polícia Federal e movimentou policiais militares e grupo especial da Polícia Militar. 
Na região de Vilhena, Sul de Rondônia, ainda no ano passado, cinco pessoas foram executadas e a polícia já tem suspeito sobre a matança. As investigações apontam que o crime teria sido motivado por disputa por terra. Ocorre que nem sempre os responsáveis pelos crimes são presos.

25 de abril de 2017

A operação Dominó e a Lava Jato

Deflagrada em 2006 pela Polícia Federal, a Operação Dominó completa no mês de agosto 11 anos em Rondônia com prisões ainda a serem cumpridas. Na última sexta-feira, foi presa em Porto Velho, a ex-deputada estadual Ellen Ruth, acusada de pedir propina para garantir a votação de projetos de interesse do governo. Atualmente estão foragidos da Justiça, os ex-presidentes da Assembleia  Legislativa rondoniense, Carlão de Oliveira e Marco Antônio Donadon, condenados por desvios de recursos públicos no Poder Legislativo.
A operação Dominó abriu a temporada de prisões de pessoas influentes da política rondoniense e do próprio Poder Judiciário e gerou polêmica com relação ao uso da algemas em autoridades que não representam ameaça a integridade de outras pessoas. Quem não se lembra da prisão do ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB) e do ex-governador de Roraima, Neudo Campos? Os dois usavam algemas pela primeira vez.
O trabalho em conjunto do Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça e Polícia Federal serve de modelo para outras operações policiais e merece uma atenção especial com relação aos prazos de recursos utilizados pelos advogados para recorrer de decisões judiciais em desfavor de seus clientes. Os condenados da operação Dominó utilizaram todos os recursos oferecidos pela legislação penal e se agarraram no manto da imunidade parlamentar, o que dificultava celeridade no processo de julgamento.
Aos poucos, o poder do voto do eleitor foi modificando esse cenário de lentidão na análise de processos. As leis também foram se aperfeiçoando e dificultando a vida de quem ainda  tenta desviar o dinheiro público.  Mesmo com as leis passando por mudança e as polícias se aperfeiçoando no processo de investigação dos corruptos e o eleitor mais esclarecido pelo trabalho da imprensa, a saga para desviar os recursos do contribuinte não foi abalada. Após a operação Dominó, foram desencadeadas  em Rondônia outras operações que levaram para cadeia ex-presidentes da Assembleia Legislativa, prefeitos, vereadores e empresários.
Hoje a população pode acompanhar todos os dias na palma do celular as delações premiadas dos delatores da empresa Odebrecht , presos na operação Lava Jato, o maior esquema de corrupção envolvendo chefes de poderes. Com o apoio de uma força-tarefa, a operação Lava Jato pode acelerar o julgamento de processos de políticos denunciados. Diferente da operação Dominó, todos os denunciados e investigados na operação Lava Jato se dizem inocentes e terão a oportunidade de se defenderem nos tribunais. Muitos denunciados no esquema de corrupção apostam na imunidade parlamentar e acreditam que serão eleitos nas próximas eleições previstas para acontecerem em menos de 20 meses. 

24 de abril de 2017

A delação premiada de ex-ministro Palocci

O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, surpreendeu essa semana os companheiros de seu partido, o PT, ao se colocar à disposição do juiz Sérgio Moro e revelar os nomes, endereços e acordos no pagamento de propina efetuado pela empresa Odebrecht. Com certeza, vem chumbo groso na próxima semana e no Palácio do Planalto o clima é de total incerteza. 
Talvez esse fosse o principal temor do ministro do Supremo Tribunal de Federal (STF), Teori Zavascki, ao confessar para o seu filho, no ano passado, o receio pelo destino do Brasil após o desdobramento das delações premiadas colhidas pela Justiça em 2016. O leitor ainda não tem ideia do que pode acontecer nos próximos dias.  
O ex-ministro Palocci foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras.
Segundo a denúncia em poder do Ministério Público Federal, entre 2006 e 2015, Palocci estabeleceu com altos executivos da Odebrecht “um amplo e permanente esquema de corrupção” destinado a assegurar o atendimento aos interesses do grupo empresarial na alta cúpula do governo federal.
Ao que parece, a cadeia, de fato, está cumprindo o seu papel. O cumprimento da pena tem como princípio básico o arrependimento. Palocci, ao prestar depoimento na última quinta-feira, elogiou a operação Lava Jato, a maior operação já ocorrida de combate à corrupção realizada nos últimos anos no Brasil. Disse estar disposto a colaborar com a Justiça.
É bem provável que essa operação desperte o interesse dos americanos na produção de um filme sobre a corrupção no Brasil. A operação Lava Jato avançou bastante nos últimos anos e conseguiu amenizar a corrupção no País, mas o fato é que ainda haverá novos capítulos da série nos próximos dias e nesse momento não é possível saber quem será o principal protagonista. 
O MPF tem um papel importante no combate à corrupção e hoje, graças a esse trabalho da força tarefa, já é possível visualizar uma pequena luz no final do túnel. Com a deflagração da operação Lava Jato será possível começar a sonhar com o Brasil melhor para as futuras gerações. Será um caminho bem longo a ser percorrido, mas a população não pode desanimar.

20 de abril de 2017

Os povos indígenas no esquecimento

A presença constante de índios no centro comercial de Porto Velho pedindo esmola revela a falta de compromisso dos gestores públicos com os povos indígenas no Brasil. É fato que nos últimos anos houve uma grande revolução nas aldeias com a participação maior dos indígenas em faculdades, participando de palestras e ministrando aulas, mas por outro lado eles tiveram seus direitos privados por culpa exclusivamente de quem deveria garantir a proteção dessa população. 
Quem não se lembra do massacre ocorrido em abril de 2004 na reversa indígena  Roosevelt, em Espigão do Oeste, resultando na morte de 29 garimpeiros? Na época, a matança colou à tona a verdadeira falta de políticas públicas voltadas  aos interesses dos índios Cinta-Larga em Rondônia. Até hoje eles são usados por garimpeiros oportunistas que tentam de forma constante reativar a exploração de diamantes em uma das maiores reservas de mundo.  
Em 2013, no município de Humaitá, no Amazonas, populares revoltados com o desaparecimento de três pessoas na Transamazônica, atearam fogo no prédio da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município. Os populares também colocaram fogo no barco que levava atendimento à população indígena nas aldeias. A Transamazônica é uma estrada bastante conhecida e os índios costumam cobrar pedágio de madeireiros que ingressam na região coma missão de extrair madeira ilegal de áreas protegidas.  
A Secretaria Especial de Saúde Indígena é o órgão responsável em levar assistência à população indígena espalhada por esse imenso Brasil. Atualmente, existe no País 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas que contam com 510 médicos, sendo que 65% são do Programa Mais Médicos. O orçamento da saúde indígena nos últimos cinco anos cresceu 221%, passando de R$ 431 mil em 2011 para R$ 1,6 bilhão em 2017. É preciso saber onde de fato está sendo aplicado esse dinheiro, principalmente na Amazônia, onde está concentrada a maior parte da população indígena do Brasil. 
No município de Espigão do Oeste, por exemplo, é comum encontrar índios circulando pela cidade em busca de auxílio. Em aldeias da região, muitos estavam passando fome. Não se sabe se de fato esses povos indígenas estão recebendo ajuda do Governo Federal. A falta de políticas públicas voltadas aos índios de Rondônia serve de atrativo para os oportunistas de plantão se aproveitarem do momento e investirem na clandestinidade do garimpo. O resultado dessa ação acaba produzindo efeito na própria sociedade.

19 de abril de 2017

Rapidez no julgamento dos processos da Lava Jato

Se o Supremo Tribunal Federal (STF) conseguir em tempo hábil julgar todos os processos envolvendo políticos e empresários no esquema de pagamento de propina da Odebrecht será um grande serviço feito em benefício da sociedade. Na última segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil solicitou a criação de uma força-tarefa no STF para a criação de um grupo de trabalho. Hoje, a mesa do ministro Edson Fachin,  está repleta de processos e se não avançar, corre sério risco de maioria dos políticos encrencados com a Lava Jato continuarem estabelecendo as regras no Congresso Nacional. 
O ministro Edson Fachin conta apenas com três juízes para analisar mais de 113 processos e quatro assessores, o que torna cada vez mais difícil concluir a operação dentro do prazo esperado para a punição dos envolvidos no maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Muitos políticos citados nas delações premiadas da empresa Odebrecht estão otimistas que conseguem obter da Justiça Eleitoral o registro de campanha para disputarem as próximas eleições. 
Acontece que o STF já está atento para esse propósito dos propineiros e acredita que será sim possível avançar nas investigações, mesmo naquelas que tratam de políticos com foro privilegiado. Cerca de 109 pessoas passaram a ser investigadas no STF após a abertura de investigação contra citados por ex-diretores da empreiteira Odebrecht.
Os processos criminais podem levar pelo menos cinco anos e meio para serem concluídos no âmbito do Poder Judiciário. O tempo é estimado pela FGV Direito Rio para que um processo criminal envolvendo autoridades com foro privilegiado seja finalizado. Muitos políticos envolvidos no esquema de corrupção receberam o dinheiro da operação Lava Jato e compraram bois e fazendas. Com o cerco da operação Lava Jato se fechando contra os poderosos, é possível identificar políticos se desfazendo de bens, gado e fazenda e transferindo o patrimônio para os herdeiros.  
O Ministério Público Federal nos Estados pode contribuir no auxílio aos procuradores da Lava Jato, uma vez que é conhecedor dos escândalos de corrupção praticados por políticos da região. A população também tem papel importante no processo de mudança e pode auxiliar os juízes. O poder de fogo da população, do povo está no voto. Políticos sem foro privilegiado facilitam o andamento das ações criminais e o julgamento. 

18 de abril de 2017

A Ponta do Abunã e o Vale do Guaporé

O anúncio da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, de autorizar a licitação para a construção de novos linhões em Rondônia, vai beneficiar a população que reside no distrito da Ponta do Abunã, na divisa de Rondônia com o Acre, e os municípios que estão localizados na região da BR-429, na região do Vale do Guaporé. Trata-se de duas regiões onde estão concentradas mais de 350 mil famílias que estão fora do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Por um longo período, essas cidades foram prejudicadas com a constante falta de energia elétrica em decorrência de problemas ocorridos nos pequenos geradores de energia. Na década de 90, essas regiões chegaram a ficar até dois dias sem energia elétrica e, no caso da Ponta do Abunã, era comum a população se manifestar fechando a BR-364 por conta da falta de energia.
Com a conclusão em 2016 das usinas do rio Madeira, em Porto Velho, a energia produzida em Rondônia passou a abastecer os grandes centros industriais através de uma linha ligando a capital rondoniense ao município de Araraquara (SP), região afetada com a crise hídrica. No entanto, as localidades da região do Vale do Guaporé e Ponta do Abunã seguem dependente de energia gerada por meio de grupos geradores.
O Vale do Guaporé e a Ponta do Abunã são localidades importantes para o desenvolvimento do Estado. Nas duas regiões, a produção de soja cresce com força avassaladora e a agricultura é capaz de superar os efeitos da crise econômica. Em São Miguel do Guaporé estão importantes produção de frigoríficos e o comércio vive uma realidade bem diferente em relação aos grandes centros comerciais do Estado.
A ponta do Abunã é outra região importante para o desenvolvimento do Estado. Dona de uma dos maiores rebanhos de Rondônia, os distritos da Ponta do Abunã compreendem as localidades de Vista Alegre do Abunã, Extrema e Nova Califórnia. Em 2010, um importante frigorífico se instalou na região, mas por motivos desconhecidos, a unidade não funcionou e o prédio está em total abandono.
Não se pode esquecer da Usina de Tabajara, na região de Machadinho, outra localidade importante e onde a produção de soja cresce. Hoje a região é abastecida com energia gerada por meio de grupos geradores e o projeto da usina foi paralisado. Com energia confiável em todas essas localidades, Rondônia terá capacidade para dobrar a produção e será capaz de superar qualquer crise.

perigo do taxilotação e o Uber

Um grave acidente ocorrido ontem na BR-364 resultou na morte de quatro passageiros da mesma família, que estavam em um taxilotação causou comoção no Estado e fez reascender a discussão em torno do perigo do transporte de passageiros pelas rodovias. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista do táxi com prefixo de Porto Velho saiu do distrito de Vista Alegre do Abunã e tinha como destino a capital rondoniense.
O veículo modelo Voyage branco, segundo a PRF, era  ocupado por cinco pessoas, sendo três mulheres e um idoso, todos da mesma família,  e o motorista. No km 21 o condutor  seguia em alta velocidade e tentou desviar de um cachorro que estava atravessando a rodovia e, para não bater no animal, pegou a contramão. Quando retornou para sua pista, perdeu o controle da direção e saiu da BR,  capotando por várias vezes, matando os passageiros. O motorista ficou apenas com ferimentos leves.
O questionamento é o seguinte: de quem é a responsabilidade nesse caso? O Estado seria o responsável, por não fiscalizar o transporte interestadual de passageiros? Ou seria a culpa do município? O motorista, com certeza, não terá condições de arcar com os prejuízos. O fato é que uma família, por um caso fortuito, está em luto e teve sua trajetória interrompida por uma imprudência. A PRF constatou, segundo o boletim, que o veículo estava em alta velocidade.
O transporte de passageiros, através do taxilotação, sempre foi um serviço arriscado e perigoso, mas parece que a fiscalização ainda é deficiente. Alguns motoristas costumam transitar pela BRs de Rondônia sem respeitar as placas de sinalização e andar acima da velocidade permitida. Por outro lado, a sinalização é bem deficiente, o que permite contribuir para o aumento do número de acidentes.
Se a situação está difícil, a tendência é piorar para o transporte de passageiros. A proposta de implantação do Uber, em Porto Velho, está travando uma verdadeira batalha entre taxistas, mototaxistas e taxilotação. Com a implantação do Uber, muitos taxistas da capital podem investir no serviço de serviço de taxilotação, colocando risco a vida dos usuários da BR-364. A tragédia ocorrida na manhã de ontem envolvendo um taxilotação só não foi maior porque no momento do acidente não havia carro na pista contrária. Caso contrário, seria bem maior o desfecho desse trágico acidente. 

15 de abril de 2017

Rondônia resiste à crise econômica e política

O Estado de Rondônia, mais uma vez, desbancou os demais Estados da federação com o crescimento do setor de serviço no mês de fevereiro, conforme apontou estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgada na última quarta-feira. Apesar de todo o escândalo de corrupção e delações premiadas impactando diretamente a economia brasileira, o Brasil ainda consegue superar a crise e demonstra que tem fôlego na superação de momento de dificuldade.  
Em relação aos resultados regionais do setor de serviços em fevereiro frente a janeiro (série com ajuste), de acordo com o IBGE, os maiores crescimentos de volume se deram em Rondônia (9,1%), Mato Grosso (8,5%) e Acre (2,5%). As maiores quedas foram observadas no Ceará (-9,8%), Espírito Santo (-5,3%) e Pernambuco (-5,2%). A região enfrenta uma das piores crises hídricas da história, comprometendo o crescimento da economia na região.
Enquanto o Brasil sofria com grande abalo da operação “Carne Fraca”, deflagrada pela Polícia Federal no início do mês, Rondônia embarcava pelo porto alfandegário da Receita Federal, em Porto Velho, mais de 200 toneladas de carne para novos mercados. Já o governo do Rio liquidava a primeira parcela do salário de dezembro do funcionalismo público estadual, o governo do Estado preparava a embarcação de mais de 200 toneladas de carne para o Egito.   
Rondônia de fato hoje enfrenta uma realidade bem diferente em relação a outros Estados impactados em decorrência de dívidas. A salvação da economia é a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que começa a movimentar a economia dos pequenos municípios. A queda da taxa de juros, também anunciada pelo Governo Federal durante a semana, garante um fôlego na economia e abre oportunidade para o desempregado montar o próprio negócio. 
O estado de Rondônia, de acordo com as projeções da Caixa Econômica Federal (CEF) deve injetar mais de R$ 190 milhões na economia. Os beneficiários, conforme apontou pesquisa realizada pelo Diário, vai aproveitar o saldo do benefício para investir no próprio negócio e pagar dívidas. Em Rondônia são mais de 230 mil pessoas que receberão os recursos. 
O Brasil corre o risco de não avançar economicamente este ano em função das denúncias da operação Lava Jato, mas o setor de serviço pode ajudar a recuperar a economia brasileira. 

13 de abril de 2017

O listão da Lava Jato

Antes de falecer vítima de acidente de avião no início do ano, o ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), confessou  ao seu filho que temia o destino do Brasil após o escândalo da operação ‘Lava Jato’, deflagrado pela Polícia Federal. O temor de Zavaski veio à tona na última terça-feira (11). A lista divulgada pelo ministro do STF, Edson Fachin reúne oito ministros, três governadores, 29 senadores, 42 deputados, 1 ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e 24 outros.
De Rondônia, estão na lista de investigados do STF os senadores Ivo Cassol (PP) e Valdir Raupp (PMDB), além do ex-secretário de Planejamento do governo Cassol, João Carlos Ribeiro. Todos negam as denúncias, mas o fato é que a Lava Jato está causando um verdadeiro estrago no Brasil afetando principalmente a economia. Ontem, por exemplo, a divulgação da lista dos denunciados  nas delações premiadas de executivos da empresa Odebrecht na operação Lava Jato impactou no mercado financeiro pelo fato de oito ministros do governo Michel Temer (PMDB) integrarem  a relação da Lava Jato.
É a primeira vez na história do Brasil que mais de um terço dos ministros do Palácio do Planalto são suspeitos de envolvimento no esquema de pagamento de propina através da empresa Odebrecht.  Se a população acreditava que o esquema do Mensalão - denunciado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson da exigência de uma mesada paga pelo governo no pagamento de políticos do Congresso, para aprovação de projetos de interesse do governo - seria o maior acordo de corrupção no Brasil se enganou. A Lava Jato conseguiu superar o mensalão.
Ontem, após a divulgação da lista dos envolvidos, centenas de investidores no exterior fizeram o seguinte questionamento: como investir em um país onde boa parte dos ministros aparece na relação da Lava Jato.  Sem dúvida, qualquer investidor teme investir no Brasil nesse momento de insegurança.
O assunto ganhou destaque na mídia internacional e trouxe prejuízos ao mercado econômico. O Brasil já se recuperava do escândalo da operação Carne Fraca, deflagrada no mês de março pela Polícia Federal resultando no fechamento de vários frigoríficos e inviabilizando as negociações de venda do produto ao mercado internacional. Com certeza, o Supremo Tribunal Federal dará prioridade na conclusão dos trabalhos e passar de vez o Brasil a limpo. A sociedade, que foi às ruas antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), precisa de uma resposta com urgência.  
No próximo ano haverá eleição. Sem dúvida o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelecerá regras mais rígidas na farra de doações de empresas às campanhas patrocinadas por empreiteiras donas das maiores obras de infraestrutura no Brasil. O eleitor, que retorna às urnas no próximo ano para eleger os novos representantes da população, não tem a dimensão do volume de dinheiro que foi doado e contabilizado pela Justiça Eleitoral às campanhas eleitorais, objeto da delação. Seria suficiente para tirar o Brasil da forte crise econômica.

11 de abril de 2017

Os 100 dias de governo e os próximos desafios

Os prefeitos completaram ontem 100 dias de governo com um longo caminho pela frente e uma demanda imensa da população. É percebível que muitos pensaram em desistir e somente agora conseguiram identificar os principais gargalos da administração. Muitos gestores esperavam contar com auxílio dos governos Estadual e Federal, mas a situação em vários Estados está bem complicada. 
Quem assumiu no dia primeiro de janeiro encontrou o município com a folha de pagamento atrasada, débitos com fornecedores e prefeituras no Cadastro dos Inadimplentes (Cadin). O desfio é longo para os novos gestores. A queda no repasse de recursos através do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foi drástica e comprometeu uma série de obras em andamento. 
Para piorar a situação dos novos gestores, muitos não podem contar com o apoio dos Estados, hoje envidados financeiramente e com salários de servidores públicos atrasados. É o caso do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul que enfrentam mobilização de funcionalismo que reivindica o pagamento dos salários do ano passado. Não se pode também contar com a União, cujo bolo do orçamento apresentou um dos piores resultados dos últimos anos. 
Nos dias 15 a 18 de maio acontece em Brasília mais uma Marcha dos Prefeitos, evento organizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). As prioridades são antigas e dificilmente serão cumpridas este ano por conta do déficit do orçamento 2016 - talvez o Brasil não consiga atingir sua meta fiscal este ano. É bem provável que novamente este ano os prefeitos retornem de mãos vazias. Como solicitar mais recursos do poder público se o cofre do Governo Federal está escasso. 
Somente em Rondônia, as perdas com a transferência de recursos do FPM foram de mais de R$ 20 milhões no ano passado. Os prefeitos ainda enfrentam grande inadimplência no pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). A população, devido ao momento delicado que o Brasil enfrenta, definiu outras prioridades no orçamento familiar.  A crise econômica também deixou prejuízos para os novos gestores. O fechamento de empresas também implica diretamente no orçamento dos municípios. 
Os prefeitos precisam, mais do que nunca, estarem unidos com o propósito de vencerem a crise. Nesse momento é importante a criatividade e inovação com o serviço público. Muitos prefeitos estão trazendo ações inéditas que visam aproveitam cada centavo que entra na conta dos municípios. A população também deve fazer sua parte. Afinal de contas, os problemas estão nos municípios. 

10 de abril de 2017

Uma usina de R$ 15 bilhões em Guajará

O anúncio da reunião entre representantes da Bolívia e Brasil com a proposta de discutir a construção de uma nova usina em Rondônia, anima o mercado econômico dos dois países, mas coloca em discussão problemas sociais ocasionados em território brasileiro. É claro que tudo está em fase de discussão, mas o que existe de concreto, segundo reportagem publicada na edição de quinta-feira do jornal Valor Econômico, e reproduzida por este Diário,  é que o investimento deve custar algo em torno de R$ 15 bilhões.
De acordo com reportagem publicada pela Agência  Brasil, o  Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), em parceria com a Eletrobras e a Empresa Nacional de Eletricidade da Bolívia (Ende) , lançou uma licitação pública internacional para estudos de inventário hidrelétrico binacional em parte da Bacia do Rio Madeira e nos principais afluentes em territórios brasileiro e boliviano.
A Eletrobras informou que o serviço a ser contratado para os estudos do inventário consideram os trechos binacionais dos rios Mamoré, Guaporé/Itenez e Abunã, além de parte do rio Beni, na Bolívia. Será avaliado o potencial hidrelétrico após a identificação da melhor alternativa de aproveitamento hidrelétrico ao menor custo, com o mínimo de impactos socioambientais e retornos socioeconômicos. Essas exigências estão incluídas no termo de referência que será disponibilizado aos interessados na licitação.
Mas a única certeza desse empreendimento é o local. Será na região de Guajará-Mirim, um município onde os problemas na área de saúde, educação e infraestrutura são bem parecidos com Altamira, no Pará. A região foi impactada com a construção da usina de Belo Monte, cujo investimento trouxe uma série de problemas econômicos para a cidade. Um deles, é a falta de saneamento básico.  
Ontem, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu a licença de operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, após acatar recurso do Ministério Público Federal no Estado (MPF-PA). A suspensão aconteceu justamente pelo fato de a Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, não realizar obras de saneamento básico na cidade de Altamira, uma das condicionantes do empreendimento.
Em Rondônia, caso o empreendimento realmente avance, os governos terão sérios problemas bem parecido com os enfrentados hoje na região de Altamira. Os municípios de Guajará-Mirim e  Nova Mamoré e os distritos de Nova Mutum e Jacy-Paraná, não têm estrutura para receber uma obra desse porte. Será necessário ajustar os empreendimentos bem antes da fase inicial das obras, caso contrário, teremos mais problemas na área da saúde.

O recuo da reforma da Previdência

A semana foi marcada por decisões importantes no Congresso Nacional. A primeira foi a transferência de responsabilidade para os municípios na discussão de liberação da Uber,  cuja autorização dependerá agora das casas legislativas. O processo ainda precisa ser votado pelo Senado Federal. 
Mas o que chamou a atenção foi o recuo do Governo Federal na proposta de reforma da Previdência. O relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), confirmou essa semana que fará ajustes nos pontos mais polêmicos do projeto: as regras de transição, as pensões, a aposentadoria rural, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e as aposentadorias especiais de professores e policiais.
Está previsto para 18 de abril seu relatório à comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a matéria. Só então os detalhes das mudanças deverão ser conhecidos.
O parlamentar não esconde a decisão de preservar direitos das populações mais pobres e vulneráveis. No caso de policiais e professores, o relator destacou, conforme matéria publicada no site da Câmara, que são categorias “historicamente” contempladas com condições diferenciadas de aposentadoria.
Ele sustenta que os ajustes vão no sentido de buscar um equilíbrio maior, um senso de justiça maior. Ocorre que a Previdência, de qualquer forma, precisa passar por uma ampla discussão. é perceptível que a população está cada vez mais ficando idosa e o pior, com problemas de saúde. Quem lucra com isso é o comércio. Em Porto Velho não é diferente. Dezenas de farmácias foram abertas este ano e outras grandes redes estão se instalando na capital e interior do Estado. Como ficará o País nos próximos 10 anos.
O momento é agora e não tem como não fugir do assunto. A reforma da Previdência precisa ser discutida e o presidente Michel Temer (PMDB) está pagando um preço bem alto para colocar o tema em discussão, o que só aumenta a sua impopularidade perante a sociedade. 
O Governo Federal conseguiu demonstrar, por meio de um estudo bem detalhado, que os ajustes na reforma da Previdência são necessários para o bem do Brasil. É preciso ouvir os representantes dos sindicatos e buscar uma proposta que seja viável para ambas as partes. O que não pode acontecer é discutir o assunto de forma isolada. O diálogo com os representantes sindicais precisa ocorrer em todas as discussões no sentido de evitar problemas futuros para o funcionalismo público e a máquina administrativa.

6 de abril de 2017

A polêmica da implantação do Uber

Os municípios e o Distrito Federal receberam mais uma responsabilidade. Combate aos legisladores e regulamentar o serviço de transporte individual remunerado por meio de aplicativos. Essa transferência de responsabilidade foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados na noite de terça-feira.
O texto aprovado é um substitutivo do deputado Daniel Coelho (PSDB-PE) ao projeto original, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e outros. Entretanto, com a aprovação de dois destaques do PT, o texto foi modificado em pontos importantes.
Muitos defendem a implantação do chamado Uber. Trata-se de um serviço diferenciado de transporte, que agradou a população nos grandes centros, apesar da grande polêmica. Por outro lado, há divergências com relação ao serviço. Atualmente os atuais motoristas de táxis que prestam serviços nas grandes cidades disputam passageiros com os mototaxistas.
Na semana passada, o tema foi amplamente debatido no plenário da Assembleia Legislativa com a participação de representantes dos taxistas, mototaxistas. Naquela ocasião, os deputados Hermínio Coelho e Léo Moares, se posicionaram contra a implantação, por alegarem que caso venha a ser implantado, o serviço afetará os trabalhadores já existentes do segmento e pela falta de estrutura que o Estado ainda é carente. Já o defensor público Carlos Ernesto, disse que o Poder Legislativo Estadual não pode proibir, somente a União.
Para a defensoria pública, o motivo do sistema ter recebido  força no País seria pela quantidade de reclamações que há em torno dos serviços dos taxistas. As autoridades presentes concluíram, por fim que o Uber não trará benefícios ao Estado ou a Porto Velho. Os parlamentares então enviarão uma ata ao Congresso Nacional, manifestando-se contra a instalação do serviço em Rondônia.
Nos grandes centros (em Porto Velho não é diferente) a péssima qualidade do transporte público obriga a população a buscar serviços alternativos. Ocorre que parte do faturamento do Uber, algo em torno de 40% da movimentação financeira, vai para o mercado internacional, ou seja, quem controla o sistema no exterior. Quem perde  é o Brasil, que já enfrenta consequências com o fraco desempenho da economia.
O que precisa nesse momento é melhorar a qualidade do transporte e os taxistas devem mostrar à população um diferencial no serviço. A proposta aprovada na noite de ontem na Câmara segue agora para votação no Senado. Se aprovada, competirá aos vereadores aprovar ou barrar o serviço de Uber nos municípios. Sem dúvida, será uma pressão muito grande por parte dos mototaxistas e taxistas.

5 de abril de 2017

A reprovação do presidente Michel Temer

Surpreende analistas políticos a reprovação do presidente  Michel Temer (PMDB) conforme apontou a última pesquisa realizada pelo Instituto Ibope, na semana passada. De acordo com a sondagem, o peemedebista tem rejeição de mais de 70% dos entrevistados. Trata-se de maior rejeição apurada por um instituto de pesquisa.
Mas o presidente Michel Temer afirmou que não está preocupado com a rejeição. Esse fraco desempenho do presidente já foi objeto de análise do Diário. Temer tem dedicado seu governo em administrar o futuro do Brasil e descartou a possibilidade de disputar a reeleição nas eleições de 2018.
Ontem, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nova pesquisa em relação ao atual cenário econômico e as medidas de governo implantadas pelo presidente. A recuperação do otimismo do consumidor identificada nos dois primeiros meses do ano não se sustentou em março. O Inec (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor) para este mês registra 102 pontos, um recuo de 2,3% na comparação com fevereiro de 2017. Na comparação com março de 2016, contudo, o índice mostra crescimento de 4,5%.
Temer passa pelo mesmo inferno astral que sua antecessora Dilma Rousseff (PT) enfrentou no poder no Palácio do Planalto momentos antes do impeachment. O desemprego continua no mesmo patamar, ou seja, sem perspectivas de melhoria em relação ao mês passado: 9,9%.
No ano passado, exatamente no mês de abril, estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelaram a existência de 10,4 milhões de pessoas desocupadas. Hoje já são mais de 13 milhões de pessoas desempregadas, conforme divulgou na última sexta-feira a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a Penad Contínua.  Em Rondônia, o setor que mais demitiu foi a construção civil, mas houve um pequeno aumento de contratações no setor de serviços.
A operação Carne Fraca, que investiga a qualidade da carne nos frigoríficos do Brasil, também ameaça a popularidade do peemedebista. O governo também enfrenta a rejeição das ruas por conta da proposta de Reforma da Previdência, cuja proposta inicial é aumentar o tempo de contribuição de serviço dos trabalhadores públicos da união e dos Estados. Se o governo inventar mais um plano econômico, é bem capaz de a rejeição do peemedebista passar de 80%. 

4 de abril de 2017

Guajará-Mirim, a Pérola do Mamoré

O prefeito eleito de Guajará-Mirim, Cícero Noronha (DEM) e Davino Serrath, terão de correr contra o tempo na construção de uma nova história da Pérola do Mamoré, como é conhecido o município que faz fronteira com a Bolívia. Nos últimos anos, os prefeitos eleitos pelo voto direto da população não conseguiram cumprir as promessas de campanha. Receberam a prefeitura com dívidas, enfrentaram a enchente histórica do rio Mamoré em 2014 e tiveram problemas com a prestação de contas do município.
A cidade também deixou de receber importantes recursos do Governo Federal e Estadual em função da falta de prestação de contas de convênios anteriores. Agora, Noronha e seu vice receberam das urnas uma grande responsabilidade: ajustar o município, atrair investidores e viabilizar ações do Governo Federal, lutar em defesa das questões indígenas e, principalmente, buscar uma alternativa para solucionar os problemas existentes na saúde.
Noronha vem do segmento empresarial. O democrata é ligado a Associação Comercial e tem bom relacionamento com o governo do Estado. Guajará precisa retomar a força econômica da Área de Livre Comércio. Na década de oitenta, o comércio do município atraía turistas de todo o Estado por conta do preço acessível dos produtos importados. Quem lucrava com essa movimentação era o setor de hotelaria e os cofres da prefeitura. A arrecadação estava em crescimento e o dinheiro retornava em benefício da população.
O município de Guajará-Mirim tem 93% de sua área preservada e, muitas vezes, esse papel de bom amigo do meio ambiente impede a região de crescer para outras vertentes. No ano passado, a Assembleia Legislativa discutiu em audiência pública a implantação da Zona Franca Verde, cujo decreto foi sancionado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). O decreto proporciona incentivos fiscais para indústrias de beneficiamento dos recursos ambientais e matéria-prima regionais de origem florestal, pesqueira, agropecuária e mineral.  A lista inclui frutos, sementes, animais, madeiras, entre outros.
Guajará-Mirim agora, mais do que nunca, precisa da força da bancada federal de Rondônia no Congresso Nacional no sentido de empenhar recursos no Orçamento Geral da União para a região, em especial no setor de saúde. No ano passado, o Ministério do Trabalho chegou a interditar o Hospital Regional após constatar péssimas condições na estrutura do prédio. Em setembro, uma equipe gestora temporária foi designada para assumir a administração por um prazo de 120 dias. Agora, o novo prefeito terá de nomear uma equipe técnica com conhecimento profundo da situação e sanar esses principais problemas que atingem diretamente a população. 

3 de abril de 2017

Fim da segurança aos ex-governadores

A lei é válida para todos, mas nem sempre é possível questionamentos. O Tribunal de Justiça de Rondônia, ao analisar ação popular de inconstitucionalidade da lei 2.255/2010 aprovada pela Assembleia Legislativa que garante a segurança a ex-governadores Ivo Cassol (PP) e João Cahula (PPS), fere os princípios da igualdade, moralidade e impessoalidade. 
A decisão ocorre justamente no momento em que o Estado enfrenta problema com o déficit de policiamento na capital e interior do Estado. Na última sexta-feira, o governador em exercício Daniel Pereira (PSB) fez o caminho inverso. Sancionou o projeto de lei que regulamenta a Programa de Prestação Voluntária de Serviços Administrativos na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros do Estado de Rondônia, permitindo o Estado a “aproveitar” a mão de obra de 600 acadêmicos em fase de conclusão de curso de direito para atuarem em serviços burocráticos dentro da Polícia Militar. 
Com a criação do programa governamental, será possível aumentar o número do efetivo de policiamento nas ruas da capital e interior do Estado. O tema foi bastante discutido no ano passado pelo comandante-geral da  PM, coronel Ênedy Dias e a equipe técnica da Secretaria de Segurança Pública e assessores jurídicos do governo do Estado. Encaminhado à Assembleia Legislativa, o projeto que permite ampliar a segurança à população foi aprovado por unanimidade dos parlamentares. 
O Judiciário, ao ser provocado novamente sobre a questão do pagamento com recursos do erário público de policiais militares para fazer a segurança aos ex-governadores Ivo Cassol e João Cahula, deixou mais uma vez bem claro que a lei aprovada pela Assembleia Legislativa  cria  privilégios  inaceitáveis  à  segurança  dos  ex-governadores  e  seus  familiares,   a  ser  custeada  pelo  erário. É o  poder público que disponibiliza  policiais  militares,  visando  à  proteção  pessoal daqueles em detrimento do povo, causa prejuízo material de difícil  reparação ao Estado, já que os policiais destinados à segurança dos ex-governadores são remunerados pelo erário, sendo contrária à  moralidade  pública,  mostrando-se  evidente  a  ilegalidade  e  a lesividade. 
O caso do pagamento de segurança a ex-governadores já foi objeto de discussão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e em 2015, o governador Confúcio Moura (PMDB) já havia revogado o decreto com todo apoio da Assembleia Legislativa, ainda na gestão do ex-presidente Hermínio Coelho (PDT).  A decisão do Poder Judiciário rondoniense é uma vitória da população, em especial do senhor Domingos Borges, que ingressou com a ação popular contra a lei.

31 de março de 2017

A conta de energia mais barata?

A mídia fez muito barulho esta semana na divulgação da devolução da cobrança indevida na conta dos contribuintes. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na última terça-feira o processo extraordinário de ajuste nas tarifas de 90 distribuidoras do País, beneficiando milhares de consumidores. O percentual de redução na tarifa que será aplicada em abril e em Rondônia o desconto se aproximada de  5,00%. 
Na realidade, não se trata de um desconto. O contribuinte sempre pagou um preço alto na tarifa de energia elétrica. No meio de toda a confusão, a população acabou pagando a mais em função da cobrança de um valor a mais, pouco percebido pelo contribuinte.  
No mês passado, nove concessionárias de transmissão de energia que renovaram suas concessões antecipadamente em 2012 vão receber indenizações de R$ 62,2 bilhões nos próximos oito anos. O valor da indenização foi definido pela Aneel, com a aprovação da metodologia para cálculo da remuneração dos ativos não depreciados das transmissoras de energia elétrica. 
Não se pode esquecer que a remuneração é uma gratificação paga pelos investimentos feitos pelas empresas que renovaram suas concessões antecipadamente em 2012. A lista inclui as concessionárias CEEE, Celg, Cemig, Chesf, Copel, Cteep, Eletronorte, Eletrosul e Furnas. Esse “descontão” será uma forma de agradar o consumidor e esquecer o benefício concedido às concessões no passado?
O sistema energético no Brasil enfrenta sérios problemas desde 2015, quando passou a vigorar as bandeiras tarifárias. Na época a seca atingia os reservatórios do estado de São Paulo e Rondônia passou a ter atenção privilegiada no cenário econômico em função da força energética produzida pelas usinas do rio Madeira. De lá pra cá, o cidadão sempre pagou por uma energia mais elevada, portanto,  não há muito o que comemorar quando se fala em desconto no preço da energia. 
Até hoje, o péssimo atendimento no fornecimento ofertado pelas empresas que fazem a distribuição de energia no interior do Estado complica o desenvolvimento das cidades. Muitas cidades de Rondônia não estão interligadas ao Sistema Energético Nacional (SIN) e ainda recebem energia fornecida por geradores. Recentemente uma localidade na região do Vale do Guaporé ficou sem energia por mais de dois dias. A situação só não é mais complicada porque o Ministério Público Estadual tem acompanhado o caso e solicitado dessas empresas que cumpram suas obrigações contratuais.   

30 de março de 2017

Porto Velho no caminho certo

O município de Porto Velho está bem próximo de consolidar um importante passo na aliança entre a prefeitura e a bancada federal de Congresso Nacional. Uma emenda de bancada no orçamento da União no valor de R$ 134 milhões vai garantir a pavimentação de diversas ruas do município e também na infraestrutura da cidade. O processo burocrático de fechamento do valor está bem próximo de ser sacramentado pela equipe técnica do Palácio Tancredo Neves, conforme informou o próprio prefeito Hildon Chaves (PSDB) em vídeo postado nesta quarta-feira nas redes sociais.
É a primeira vez na história política de Rondônia que um município recebe um aporte financeiro com esse valor. Essa ação política revela a importância da mudança do pensamento político dos representantes do Estado. Senadores e deputados federais, cuja a base eleitoral está no interior do Estado, foram eleitos com expressiva votação do eleitorado porto-velhense. Em tempo de eleição, se tornou comum a capital receber centenas de candidatos do interior no processo de caça aos votos por uma das 8 vagas no parlamento federal e 2 vagas no Senado.
Porto Velho, hoje com mais de 529 mil habitantes, conforme o último senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), cresceu de forma desordenada e os problemas também aumentaram na região central e principalmente nos bairros da periferia. Em tempo de forte seca, a população enfrenta sérios problemas com a intensa poeira e falta de água tratada. Já na fase da intensa chuva, a situação é mais grave com os focos de doenças (principalmente da dengue) se espalhando pelas ruas da região.
Outras obras importantes estão na fila de espera em benefício de Porto Velho. Uma delas, é a que trata do esgotamento sanitário. Orçada em mais de R$ 500 milhões, o dinheiro continua parado na conta da Caixa Econômica Federal e cada ano vai perdendo seu valor. Recentemente a CEF recebeu recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para não transferir qualquer  quantia para a execução do projeto. Segundo parecer do TCU, existe indício de sobrepreço da obra em mais de R$ 120 milhões.
O esgotamento sanitário, assim como o projeto de melhoria das ruas do município, é importante para o município de Porto Velho. Se a pendência burocrática for sanada, conforme recomendação do TCU,  proporcionaria melhoria de 80% dos problemas de saúde na capital rondoniense. Ajudaria também a aliviar a superlotação de pacientes nas unidades de saúde de Porto Velho e do Estado. Hoje, a falta de saneamento básico produz grande consequência aos cofres das prefeituras e Estados.

29 de março de 2017

A retomada das exportações da carne

Depois de um tsunami no comércio da carne no Brasil, o setor agropecuário do País amanheceu ontem bem otimista com a decisão do governo de Hong Kong de retomar a importação da carne brasileira. A decisão governamental anima o mercado das exportações e Rondônia também é beneficiada com a medida. 
Na tarde de segunda-feira, o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, convocou coletiva à imprensa para explicar os procedimentos que estão sendo adotados no Brasil na questão da fiscalização do produto nos frigoríficos. Também na última segunda-feira os frigoríficos retomaram o processo de abate do gado. 
Enfim, a normalidade vai se estabelecendo no mercado da carne, mas ainda não é possível calcular os prejuízos ocasionados em decorrência da operação Carne Fraca, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal resultando no fechamento de plantas frigoríficas no Estado do Paraná.
A carne de Rondônia também tem como destino Hong Kong e essa notícia é importante no setor produtivo do Estado. Ontem, antes de embarcar para Brasília na qual participaria de uma reunião com o ministro Blairo Maggi, o secretário de Estado da Agricultura, Evandro Padovani mostrou essa semana grande preocupação com a produção bovina de Rondônia. Nessa época do ano, o gado está pronto para o abate e o fechamento de importantes mercados para importação traria sérios problemas para Rondônia. 
Por conta da operação, o preço do gado já apresentava sinais de queda. Em São Paulo, por exemplo, a arroba do boi despencou R$ 10,00. Trata-se de  um grande prejuízo para quem vendeu o boi aos frigoríficos na semana passada.
A retomada das importações para Honk Kong entra em vigor imediatamente. No último sábado, a mesma decisão de reabrir mercado, depois de embargo e restrições decorrentes da Operação da Polícia Federal, havia sido tomada pela China, Chile e Egito, que também figuram entre os principais importadores do produto brasileiro.
Em coletiva, realizada na última segunda-feira, o ministro descartou problemas com a carne brasileira que poderiam causar prejuízos à saúde humana. A afirmação baseou-se em análises feitas em produtos de três frigoríficos interditados. Foi muito barulho por nada e a exportação de Rondônia e demais Estados ficaram comprometidas.  
Até o momento não tem os números oficiais de prejuízos ocasionados em decorrência da operação federal. A partir de agora, é importante o Ministério da Agricultura começa a mostrar o valor da carne brasileira. Já os proprietários de frigoríficos precisam se aproximar da pasta da agricultura e definir uma política urgente de reconstrução da imagem da carne brasileira.

28 de março de 2017

O gigante pode adormecer

As manifestações que aconteceram o último domingo em diversas capitais contra o foro privilegiado e em favor da Operação Lava Jato parece que perderam força. É possível que o gigante poderá a qualquer  momento adormecer em um sono profundo em plena crise econômica responsável por nocautear o Brasil após os escândalos de corrupção envolvendo a alta cúpula do governo Michel Temer (PMDB).
Quem preferiu ficar de fora das manifestações no último domingo fez sua avaliação. Muitos apostam que essas manifestações, embora com baixa frequência do público esperado pelos organizadores da mobilização, foram sucesso pelo fato de mostrar à classe política de plantão total insatisfação contra o momento que se encontra a economia brasileira e o desvio de dinheiro público por meio do caixa 2.
Em Porto Velho, a capital de Rondônia, era possível contar o número de pessoas que foi protestar no Espaço Alternativo contra a corrupção. Pode ser um sinal que o porto-velhense está totalmente satisfeito com o atual modelo econômico de governo implantado pelo governo do PMDB após o impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Não se pode negar a importância do “Movimento Vem Pra Rua” no ano passado quando milhares de pessoas foram às ruas pedir o afastamento da presidente Dilma. Foi o maior movimento já ocorrido na história do Brasil desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. A força das ruas foi de grande relevância para escrever uma nova história na política brasileira.
Embora o movimento tenha ocorrido de forma menos intensa nos Estados da região Norte, é importante sim a população ficar atenta aos últimos acontecimentos, principalmente o desfecho da operação Lava Jato. Não se pode descartar nesse momento a possibilidade de novas prisões como desfecho de novas linhas de investigações que podem atrapalhar o futuro de políticos em vários Estados (inclusive em Rondônia).
O Brasil já se aproxima para novas eleições e nos bastidores alguns partidos começam a se digladiarem. O poderio financeiro dos grandes partidos políticos acusados faz parte agora do foco do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por investigar a prestação de campanha da chapa Dilma-Temer. A fiscalização, com certeza, será bem mais rigorosa em relação aos últimos anos eleitorais. Quando chegar a eleição, será o momento ideal para a população mostrar novamente sua indignação com a atual classe política - foi assim na eleição para prefeito e vereadores, quando a bancada de prefeitos do PT apresentou drástica queda em decorrência dos últimos escândalos de corrupção no governo.

27 de março de 2017

O retorno do movimento nas ruas do Brasil

O movimento Vem Pra Rua retorna às ruas das principais capitais do Brasil neste domingo em apoio à operação policial Lava Jato e em protesto contra as últimas medidas tomadas pelo governo. É a primeira vez que a mobilização ocorre este ano após a votação final do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), acusada de crime de responsabilidade. 
A mobilização acontece também justamente no momento em que a investigação Lava Jato caminha com destino ao Palácio do Planalto, hoje ocupado pelo sucessor de Dilma, o presidente Michel Temer (PMDB), eleito da chapa presidencial nas eleições de 2014. 
Principais assessores de Temer foram denunciados e o pagamento de propina teve como principal rumo o caixa dois da campanha presidencial PT-PMDB, favorecendo os principais partidos políticos que integravam o esquema de recebimento de dinheiro sujo da empresa Odebrecht. 
A semana que antecedeu a mobilização foi marcada por várias notícias negativas para a política e a economia do Brasil, entre elas, o efeito da operação Carne Fraca, a suspensão da importação da carne brasileira, a redução do volume de abate de bois nos frigoríficos do Brasil (inclusive 4 frigoríficos em Rondônia), além do vazamento do delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, no qual denunciou com detalhes como funcionava o pagamento de propina aos partidos políticos. 
Não é possível imaginar o que vem por aí com as próximas delações premiadas que foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal. A partir do momento que as delações premiadas são homologadas, não há como os delatores voltarem atrás. 
Também não sabe quantos movimentos deverão acontecer e o reflexo das mobilizações no mercado internacional. Muitos temem que as mobilizações comprometam as negociações do Brasil no exterior e afaste investidores internacionais. 
A única esperança é que o gigante chamado Brasil é capaz de superar qualquer tipo de crise, mas para isso conta com apoio do Congresso Nacional, cujo representantes de todos os segmentos da sociedade estão legislando e foram eleitos com a promessa de mudar o destino do Brasil. 
O vazamento do depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) merece uma resposta rápida e os culpados precisam ser punidos com o rigor da lei. A política não pode contaminar o TSE. 

25 de março de 2017

Odebrecht, caixa 2 e o vazamento

O depoimento do empresário Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é um forte sinal de que a prática do caixa dois de campanha existiu e teve de fato algum beneficiado no destino final da propina. A revelação do conteúdo da declaração do empreiteiro foi divulgada ontem com exclusividade pelo site O Antagonista e ganhou grande repercussão na mídia nacional e internacional.
Enquanto o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, se preocupa com o vazamento das informações em processo que tramita em segredo de Justiça, no Palácio do Planalto a situação é mais grave: o efeito das declarações.  A existência do caixa dois pode complicar a vida de muitos partidos políticos que estavam no mesmo palanque da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Rico em informação e detalhes de como funcionou o esquema de transferência de recursos para as campanhas eleitorais, o depoimento do empresário causou um grande barulho na República, hoje presidida pelo peemedebista Michel Temer (PMDB).  Aquela velha tese de dizer que todas as despesas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral  não deve ser descartada da linha de investigação dos ministros do TSE.
Marcelo Odebrecht se tornou um homem-bomba, uma vez que todo o esquema de pagamento de propina passou pela sua “administração” no setor de propina da empresa. Com as declarações do ex-executivo da empresa, a situação econômica do Brasil (que já apresenta sinais de fraqueza após a operação Carne Fraca) fica cada vez mais complicada.
Talvez essa seria uma das inúmeras preocupações do ministro Teori Zavacki, que estava tocando o processo da operação federal Lava Jato, criada com a finalidade de investigar o maior esquema de corrupção ocorrido na história do Brasil. O ex-ministro do  Supremo Tribunal Federal, em conversa com a família antes de morrer, confessou uma grande preocupação com o futuro do Brasil este ano por conta dos efeitos da operação Lava Jato.
A Lava Jato, além de trazer prejuízos  econômicos, também mexe com o Poder Judiciário. Ontem, o  presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, cobrou investigação sobre o vazamento de depoimentos sigilosos de executivos da empreiteira Odebrecht, nos quais são relatados supostos repasses ilegais à campanha da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014.
Na última quinta-feira (23), o ministro do TSE Herman Benjamin encaminhou aos demais ministros da Corte o relatório parcial sobre a ação, relatada por ele, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder político e econômico. O objetivo foi permitir que seus pares comecem a preparar os votos no caso.
Recentemente, Gilmar Mendes acusou a Procuradoria-Geral da República (PGR) de vazar informações sigilosas relativas à Lava Jato, e fez alusão a uma possível anulação de provas em decorrência do ato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reagiu afirmando que a acusação era “mentirosa”. Talvez essa seria também uma das preocupações que o ex-ministro Teori se referia.

24 de março de 2017

A força da produção da carne brasileira

Sem dúvida, a operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, deixou um rastro de prejuízos na economia brasileira com a demissão de funcionários que trabalham em frigoríficos, além de comprometer as exportações do alimento para outros países. Órgãos ligados a federação da agricultura e federação da indústria e comércio se uniram em defesa da carne produzida no Brasil.
Ontem, o presidente Michel Temer disse em entrevista à Agência Brasil que ligaria para o presidente da China, Xi Jinping, na tentativa de fazer com que o país volte atrás na decisão de suspender a importação de carne brasileira, após as denúncias de problemas na fiscalização do produto. Segundo Temer, o caso, desencadeado após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, “não poderia estar alcançando a dimensão a que chegou”.
Alguns países tiveram de rever a decisão e retomaram às exportações do alimento brasileiro. Se de fato a carne produzida no Brasil apresentasse problemas de saúde à população, muitos senadores não estariam defendendo o produto na Comissão da Agricultura do Senado, como ocorreu na última quarta-feira durante reunião presidida pelo senador Ivo Cassol (PP-RO).
Rondônia registrou recorde de abate de bovinos no quarto semestre do ano passado e hoje sente um prejuízo de mais de R$ 30 milhões, conforme as projeções da Associação dos Produtores Rurais de Porto Velho e Ji-Paraná. A carne produzida no Estado chega em 40 países e é transportada por meio da rio Madeira, em Porto Velho, contribuindo para o aumento das exportações.
A mobilização da sociedade, e em especial da mídia, para reverter a situação foi sim importante no sentido de evitar uma piora do cenário. Mais uma vez, o governo agiu corretamente ao lançar ontem o Novo Processo de Exportações do Portal Único de Comércio Exterior. O evento foi lançado ontem e serviu para fortalecer a importância do produto com o mercado internacional.
O Brasil é de fato um dos maiores exportadores de carne e o comércio internacional tem fome em provar o alimento. No entanto, o maior consumidor do produto é a própria população brasileira, que um dia após a operação deflagrada pela Polícia Federal, manteve a rotina de ir ao supermercado e comprar carne para um bom churrasco. Os países devem rever seus conceitos com relação a carne abatida nos frigoríficos.

23 de março de 2017

O fim da reforma da Previdência, por enquanto

A reforma da Previdência, em tramitação no Câmara Federal, vai atingir somente os servidores públicos federais, conforme decisão anunciada na noite da última terça-feira pelo presidente Michel Temer (PMDB). É possível afirmar que o recuo do Palácio do Planalto em aumentar o tempo de contribuição para o servidor público estadual se aposentar acabou sendo sepultado após muita pressão em direção dos senadores e deputados federais em seus Estados. 
Agora, se não houver uma pressão por parte dos sindicatos dos servidores federais, é bem possível que a proposta ganhe força no Congresso Nacional. Como este Diário já tratou do tema em recente editorial, o presidente Michel Temer não está muito preocupado com o reflexo da aposentadoria aos cofres públicos. O peemedebista já descartou a possibilidade de disputar a reeleição, mas alertou que o próximo presidente terá de tratar do assunto como prioridade de governo. 
A iniciativa foi comemorada ontem pelas lideranças sindicais nos Estados e representa uma conquista importante para os parlamentares de Rondônia que assinaram documento contrário à proposta governista. Ocorre que a Previdência é um assunto que precisa sim ser tratado pelos governos. É fato que a população brasileira está ficando cada vez mais experiente e vai chegar em determinando tempo que faltará recursos para pagar a aposentadoria dos novos servidores públicos que estão sendo contratados pela administração. 
No caso de Rondônia, a Assembleia Legislativa aprovou no mês passado proposta que aumenta o tempo de contribuição do funcionalismo público estadual. 
A medida governamental chegou no parlamento rondoniense após reunião entre os governadores de todos os Estados com o presidente Michel Temer. Em Rondônia, a proposta de alterar o percentual de desconto previdenciário ganhou forte rejeição do funcionalismo estadual, mas a pressão feita pelas lideranças sindicais não produziu o efeito desejado pela categoria. Agora, é preciso saber como o governo de Rondônia vai conduzir esse processo ou se manterá a proposta original aprovada pela Assembleia Legislativa que aumenta o percentual para aposentadoria do funcionalismo público. 
O Governo Federal conseguiu demonstrar, por meio de um estudo bem detalhado, que os ajustes na reforma da previdência são necessários para o bem do Brasil. É preciso ouvir os representantes dos sindicatos e buscar uma proposta que seja viável para ambas as partes. O que não pode acontecer é discutir o assunto de forma isolada. O diálogo com os representantes sindicais precisa ocorrer em todas as discussões no sentido de evitar problemas futuros para o funcionalismo público e a máquina administrativa. 

22 de março de 2017

Os indicadores no Dia Mundial da Água

No Dia Mundial da Água, comemorado hoje, se faz necessário fazer uma avaliação do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, documento que faz um panorama da situação infantil no País, divulgado ontem pela Fundação Abrinq. O estudo foi feito utilizando dados de fontes públicas, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revela uma grande preocupação com o futuro do planeta.
A publicação contabilizava cerca de 23 indicadores sociais, divididos em temas como trabalho infantil, saneamento básico, mortalidade e educação. A publicação também apresenta uma série de propostas referentes às crianças e que estão em tramitação no Congresso Nacional. Mas o tema em voga é saneamento básico. Não se trata do estudo Trata Brasil, onde a situação de vários municípios é uma das piores em saneamento básico. O estudo do Trata Brasil merece sim uma atualização, mas não se pode perder o foco de um problema grave para o futuro de nossas crianças.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saneamento básico como o controle dos fatores do meio físico que podem exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar físico, mental ou social do homem. No Brasil, o artigo 23, inciso IX, da Constituição Federal determina que União, Estados e municípios devem promover programas de melhoria das condições de saneamento de toda população, definido pela legislação nacional como o conjunto de serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água; esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; e drenagem e manejo de águas pluviais.
O acesso adequado ao saneamento básico é um dos fatores determinantes para a melhoria da qualidade de vida e da saúde da população. Esse tema é um desafio nacional, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País. O desperdício de água é grande principalmente nessas regiões e a falta de saneamento é um problema grave. De acordo com o estudo divulgado ontem, mais de 10 milhões de moradores no Brasil não têm acesso à água tratada. Essa informação divulgada ontem pelo observatório criança é relativa a 2015.
Em se tratando de saneamento básico, a situação é mais delicada. Mais de 2 milhões de domicílios não têm acesso à água de qualidade. A Amazônia é uma região rica em água, mas esse alimento não chega com boa qualidade nos domicílios justamente por falta de políticas públicas voltadas à saúde da população. O problema é bem  antigo e todos os anos se repete.

21 de março de 2017

O estrago da operação Carne Fraca

O efeito relâmpago da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira no Paraná, foi o suficiente para mexer na economia brasileira - que ainda tenta se recuperar do estrado produzido pela operação policial Lava Jato – e atravessar outros países que importam com frequência a carne brasileira.
Há correntes fortes afirmando que a operação deflagrada foi um verdadeiro exagero. Os fatos investigados nesse primeiro momento foram concentrados em apenas três bases frigoríficas investigadas com suspeitas de maquiagem de carne. Mesmo assim, o estrago da operação foi péssimo para a economia brasileira.
O presidente Michel Temer (PMDB) foi obrigado no último domingo a almoçar em uma churrascaria e comer picanha. O peemedebista também convocou uma reunião de emergência com todos os órgãos envolvidos na fiscalização da carne brasileira. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, concedeu coletiva à imprensa para tentar reduzir o impacto econômico da operação.
O peemedebista deixou claro que dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades. O governo sabe da importância da força econômica da carne brasileira.
A operação federal acontece justamente no momento em que o estado de Rondônia bate recorde de abate de bovinos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisticas (IBGE), Rondônia abateu no quarto semestre de 2016  mais de 50 mil bois. Rondônia  foi um dos poucos Estados a atingir aumento do abate, enquanto São Paulo apresentou queda juntamente com Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Paraná, Bahia, Espírito Santo,  Ceará e Acre.
O Brasil não pode ser prejudicado  por um fato isolado, mas nesse momento ganha importância o Ministério da Agricultura, por meio da Delegacia Federal da Agricultura nos Estados, em intensificar a fiscalização nas empresas.  Esse trabalho  sempre foi realizado de forma bem rigorosa no estado de Rondônia. Por outro lado, as missões internacionais são criteriosas quando fiscalizam os frigoríficos antes de comercializar a carne brasileira.
Rondônia, por exemplo, já recebeu várias missões internacionais que atestaram a qualidade da carne bovina, suíça e carne de frango. O Ministério da Agricultura, apesar do pequeno número de funcionários existentes em Rondônia, está fazendo o dever de casa. Também não há registro de frigoríficos envolvidos em esquema de adulteração da carne. O governo, mais uma vez, viu a importância da fiscalização e da necessidade da contratação de novos funcionários para atender à demanda dos Estados. 

20 de março de 2017

O mercado reage com a geração de empregos

A semana fechou com boas notícias na economia. A primeira foi o aumento dos juros da poupança, que superou a inflação do ano passado. Mas a notícia mais comemorada pelo mercado e a equipe econômica do Palácio do Planalto foi a geração de novos postos de trabalho essa semana. O Brasil, segundo dados do Ministério do Trabalho, gerou mais de 33 mil pontos de trabalho.
Em Rondônia, conforme apurou o Diário, o setor de serviços foi o que mais contratou este ano com abertura de 506 postos de trabalho. A indústria da transformação apareceu com 221 novos contratados, enquanto que a administração pública registrou 154 e a agropecuária 55 novas contratações. Os números de fato representam um bom gás para o mercado de trabalho nesse momento de recuperação da economia.
A tendência dos próximos meses é de crescimento de novas vagas para o meses de março e abril. O que alimenta essa esperança é o momento que a economia respira mais aliviada com a liberação de recursos do Fundo de  Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Esse dinheiro extra está sendo o caminho mais emergente para quem perdeu o emprego e pretende montar o próprio negócio.
A construção civil ainda continua sendo o vilão das demissões. Rondônia e Pará aparecem no Cadastro Geral do Desempregado (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, com números bem parecidos.  O Sul do País foi a região que mais avançou na geração de empregos, com destaque para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quem saiu na frente foi o Estado do Paraná com a geração de mais de 1 mil empregos na construção civil.
Com dados do Caged, o governo pode agora definir um plano econômico voltado para a construção civil. Trata-se de um setor importante na geração de empregos, mas que ainda não conseguiu reagir. Diferente do agronegócio, que desponta na geração de empregos com o processo de colheita de soja, a construção civil sofre desgaste por obras importantes paralisadas, entre elas, a construção da usina de Belo Monte (PA). A obra está sendo executada pela empresa Odebrecht, envolvida no esquema de pagamento de propina para partidos políticos nas eleições de 2010 e 2014.

18 de março de 2017

A operação policial que paralisou o Brasil

Considerada a maior ação federal de combate à corrupção e a lavagem de dinheiro, a operação federal Lava Jato completou ontem aniversário de três anos. Sem dúvida, a operação policial paralisou o Brasil e levou uma grande quantidade de empresários e políticos para a cadeia, o que era bastante raro acontecer no País.
De fato a economia e o crescimento econômico do Brasil foram afetados diretamente com a Lava Jato. Até hoje os investidores têm grande receio em investir no Brasil por conta da operação. A situação se complica ainda mais quando aparecerem nomes de senadores influentes, ministros e assessores do alto escalão do governo citados em delações premiadas em poder do Ministério Público Federal do Paraná.
A operação Lava Jato foi extremamente necessária e conseguiu estancar a sangria dos cofres públicos. A corrupção do dinheiro público parecia estar fora do controle. A população não tem ideia da quantidade real de dinheiro que foi surrupiado da população com o pagamento de propina. Isso sem contar com o dinheiro que era transferido para contas bancárias em outros países.
A população saiu às ruas para aplaudir o juiz federal Sérgio Moro e toda a equipe de procuradores que atuou na operação federal. Mesmo com a operação em andamento, muitos não se intimidaram com a ação federal e tentaram barrar a operação. Não produziu efeito. A população foi às ruas para apoiar o trabalho da Polícia Federal.
Os números obtidos pela  Lava Jato são surpreendentes. Foram 57 acusações criminais contra 260 pessoas com a recuperação de R$ 10 bilhões aos cofres públicos, entre valores que já foram devolvidos ou estão em processo de recuperação. O dinheiro seria o suficiente para concluir dezenas de obras paralisadas importantes para o desenvolvimento econômico do Brasil.
A conta ainda não fechou e poderá ainda levar algum tempo para fechar. A empresa Odebrecht resolveu fazer acordo com os procuradores e devolver parte do dinheiro desviado. A empresa pertencente a Marcelo Odebrecht não foi a única a se envolver com o desvio de dinheiro público. Outras empresas participaram da construção e reforma dos estádios para os jogos das Olimpíadas.

17 de março de 2017

Mais recursos circulando no estado de Rondônia

Uma importante parceria firmada essa semana entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Banco do Brasil, sem dúvida, tem forte importância na economia e ajudará o pequeno empreendedor a vencer a crise financeira que circula o Brasil nos últimos anos.  
Batizado pelo Sebrae de “Senhor Orientador”, trata-se de uma etapa operacional do programa “Empreender Mais Simples”, em que o serviço busca fornecer  menos burocracia, mais crédito, com o objetivo de simplificar a gestão de micro e pequenas empresas e orientar financiamento a empresários.
A parceria prevê, conforme informou ontem o Diário, a liberação de R$ 8,8 bilhões em linhas de crédito para micro e pequenas empresas até o fim de 2018. Desde então, quase 3 mil micro e pequenas empresas já tomaram cerca de R$ 300 milhões em financiamentos voltados para capital de giro.  Há sim uma expectativa de criação de novos postos de trabalho com programa.
A Superintendência do Banco da Amazônia em Rondônia, ao inaugurar a sede da nova superintendência em Porto Velho, no mês passado, anunciou mais de R$ 1 bilhão para o agronegócio no Estado. Trata-se de um valor bem acima da média reservada a outras regiões onde a instituição está presente. O agricultor poderá ter acesso à linha de crédito com juros bem menores do que o praticado no mercado.  
Qualquer oferta de crédito para ajudar o investidor a sair da crise é bem-vinda nesse momento, embora em alguns Estados da federação (inclusive Rondônia) o efeito da crise passou bem longe devido a importância da agricultura. A necessidade de fazer um planejamento financeiro, antes de contrair empréstimo, é importante principalmente no momento em que está a economia brasileira.
Nesse momento de economia instável, o Sebrae tem sido um importante parceiro dos pequenos orientando onde melhor aplicar o dinheiro e ampliar os investimentos. A parceria com instituições bancárias tem se tornando fundamental no aquecimento da economia nos Estados em crise. Com a Senhor Orientador, a entidade pretende aquecer a economia com mais de R$ 80 bilhões até 2018. De fato é um bom dinheiro que precisa circular no mercado e impulsionar a geração de novos postos de trabalhos.  

16 de março de 2017

As mobilizações contra a reforma da Previdência

As manifestações promovidas ontem por trabalhadores em todas as capitais do País prometem nos próximos dias  despertar do sono profundo o movimento Vem Pra Rua, aquele que culminou com o impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A classe trabalhadora foi para as ruas manifestar posição contrária à Proposta de Emenda à Constituição que eleva o período de aposentadoria da nova Previdência Social, e cuja a proposta está em discussão em uma comissão especial na Câmara dos Deputados.
A mobilização de ontem ganhou as principais praças públicas, tomou as ruas e serviu para mostrar que a classe trabalhadora reprova toda e qualquer ideia do governo Michel Temer (PMDB) de alterar as garantidas dos trabalhadores previstas em lei. Trata-se do primeiro movimento de grande repercussão nacional enfrentado na gestão do peemedebista depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e coloca as bancadas federais dos Estados e situação bem complicada.
Os protestos contra o governo acontecem justamente no momento em que a política econômica começa a produzir pequenos efeitos após a saída da petista do comando do Brasil. Para conhecimento do leitor, ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou informativo sobre o recorde na agricultura com aumento na produção de ovos e abate de frangos e suínos. A economia também começa a aquecer com os saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Ao mesmo tempo que ocorriam as manifestações pelas ruas das capitais, representantes do Ministério do Planejamento explicavam para jornalistas em Brasília as principais consequências para os cofres públicos, caso o governo não aprove as mudanças na reforma da Previdência no atual modelo sugerido pelo governo. O curioso da apresentação é que as medidas sugeridas pelo Palácio Planalto não produzirão efeitos nos primeiros anos, mas são medidas paliativas para o Brasil.
O cenário caótico que se encontra a Previdência no Brasil não é culpa do atual governo. Talvez os governos passados tentaram se esquivar da discussão em torno do assunto.  As entidades sindicais devem ser procuradas e precisam apresentar sugestões que possam viabilizar o Brasil no futuro. O presidente Michel Temer já sinalizou na imprensa que não tem pretensão de disputar a reeleição, mas o futuro presidente da República ficará de mãos atadas, caso não aconteça uma mudança no regime previdenciário do Brasil.
A proposta de ampliar o período de aposentadoria de 55 para 65 jamais terá apoio da classe trabalhadora, mas os governos não podem fugir da discussão do tema.